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Governança e Compliance como ferramenta de geração de valor aos acionistas

20/06/2018 17:25:38

Na atual conjuntura de instabilidade econômica e política do País, os desafios que as empresas e seus executivos têm enfrentado para atingir suas metas de crescimento, rentabilidade e, consequentemente, de remuneração de seus acionistas, estão se multiplicado de maneira exponencial. Neste contexto, estruturas de Governança e Compliance (G&C) são importantes ferramentas de gestão para transpor tais desafios na medida em que, quando maduras, têm grande potencial para geração de valor, mesmo em períodos de crise.

Os muitos estudos feitos sobre G&C são enfáticos em apontar a relação direta entre a adoção de estruturas de G&C e o valor de mercado das empresas. Uma das razões para isso, demonstrada por tais levantamentos de dados, decorre do fato de que estas estruturas estão baseadas em dois aspectos principais: no nível de disclosure de informações da empresa ao mercado; e na proteção dos direitos de seus stakeholders. Desta forma, e como consequência lógica, empresas com melhores níveis de G&C acabam tendo melhor e maior acesso a capitais de terceiros, seja estes sob a forma de empréstimos e financiamentos, ou mesmo sob a forma de aportes de capital por novos investidores. Maiores limites de crédito, maior capacidade para investimentos, prazos mais extensos de pagamento e menores custos de captação afetam diretamente os fluxos de caixa da empresa e acabam gerando um ciclo virtuoso de crescimento de seu valor patrimonial.

Em mercados regulados, como o da BM&F Bovespa, esta constatação fica ainda mais clara. O índice Bovespa, por exemplo, apresentou uma valorização de 36% nos últimos 5 anos, enquanto que o IGCX, índice composto por papéis de Empresas com níveis mais elevados de governança corporativa, teve um rendimento de 92%. Ou seja, mesmo em ambientes regulados, que já se caracterizam pelo seu alto nível de governança, percebe-se que os investidores atribuem um valor significativamente mais elevado às empresas com níveis mais avançados de G&C.

Mesmo diante das extensas evidências sobre as vantagens decorrentes da implantação de uma estrutura apropriada de G&C, grande parte das empresas nacionais ainda enfrenta dificuldades para atingir o nível de maturidade necessário para usufruir destes benefícios. Em recente pesquisa divulgada pela KPMG sobre a maturidade do compliance no Brasil, estes desafios ficam claros.

Das 450 empresas pesquisadas, mais de 80% encontram dificuldades para estruturar processos, bem como para integrar a área de compliance às demais áreas de negócio, enquanto que cerca de 70% ainda enfrentam barreiras para obter o apoio de seus executivos sêniors. Esta mesma pesquisa ainda aponta que apenas 41% dos executivos sêniors veem a governança e a cultura de compliance como essenciais para o sucesso da empresa. Constatações como estas deixam claro as grandes oportunidades de geração de valor para os acionistas que ainda existem.

Desta forma, é preciso priorizar as ações que possam gerar o melhor resultado no menor espaço de tempo. As chamadas low-hanging fruits, neste caso, podem ser as Estruturas de G&C que, uma vez implementadas e em nível de maturidade apropriado, se constituem em importante ferramenta de gestão em busca da geração de valor para os acionistas, mesmo em períodos de crise.

Cristiano Kruk, auditor da KPMG e membro do Comitê de Governança e Compliance do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças – IBEF PR.

 

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