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O QUE O CFO DA INDÚSTRIA 4.0 ESPERA DE SEU JURÍDICO

09/08/2018 16:32:40

O conceito de Indústria 4.0, conhecido como a quarta revolução industrial, tem origem em um projeto alemão que propôs a aplicação das principais inovações tecnológicas dos campos de automação e tecnologia da informação aos processos de manufatura. No Brasil, as indústrias ainda estão em fase de implementação de medidas para integrar tecnologias digitais ao processo produtivo, visando ao aumento da competitividade no cenário mundial.

A figura do CFO (Diretor Financeiro) passa a ter uma função especial de garantir a estrutura financeira necessária para possibilitar a integração de novas tecnologias ao processo produtivo, objetivando o ganho de produtividade e lucratividade das empresas nacionais.

Passa a ser requisito para o CFO 4.0 a adoção de tecnologias disruptivas, rompendo padrões e modelos tradicionais, por meio de ferramentas digitais de nova geração que, de forma acessível, sustentável e projetada, possam aliviar as pressões de fluxo de caixa e de capital de giro das empresas, além de trazer maior previsibilidade aos resultados.

Neste período de transição, a tecnologia deve ser enxergada como uma aliada do CFO, uma vez que as tecnologias de análise, nuvem e processo robótico permitirão que a função financeira agregue significativamente mais valor ao negócio.

Além do campo financeiro, usualmente uma das atividades do CFO é a supervisão (direta ou indireta) do departamento jurídico da empresa. A relação do CFO com o jurídico deve ser estratégica, para que se alcance os resultados almejados.

O departamento jurídico, pelo papel essencial que possui dentro da estrutura corporativa, também deve estar incluído no processo de modernização e adoção de novas práticas, para estar apto a auxiliar os demais departamentos da empresa e, em especial, o CFO.

O Departamento Jurídico 4.0 precisa atuar focado em uma gestão estratégica e com ampla utilização de ferramentas digitais, contar com uma integração real com outras áreas da empresa (como contábil e financeira), além de conhecer efetivamente todo o “negócio” da empresa.

Atualmente, algumas práticas vêm sendo adotadas em departamentos jurídicos e com resultados expressivos, como a aquisição e implementação de programas e softwares que permitem, em tempo real, a gestão confiável das contingências ativas e passivas da empresa, a automatização de processos repetitivos, a automação na gestão de documentos, análise de jurimetria para tomada de decisão (análise estatística aplicada ao direito para prever resultados), utilização de inteligência artificial, dentre outras iniciativas.

No atual cenário em que vivemos, há uma alta litigiosidade. Estudo realizado pelo Conselho Nacional de Justiça, demonstra que há em curso no judiciário mais de 110 milhões de processos. Neste ponto, surgem iniciativas de resolução online de litígios, ferramenta que pode reduzir diversas contingências por meio de uma atuação célere, eficaz e muito menos onerosa do que as tradicionais discussões judiciais.

A automação de processos robóticos já está assumindo trabalhos repetitivos, inclusive na seara jurídica (por exemplo na gestão de contencioso de massa e nos contratos), permitindo que o departamento jurídico se concentrem na análise avançada de dados e forneça insights sobre os negócios para permitir uma melhor tomada de decisões pelo CFO.

O departamento jurídico também deve estar preparado para lidar com problemas legais advindos dessas inovações, tais como privacidade, ciber segurança, internet das coisas, fake News, reputação da empresa, entre outros.

O papel do departamento jurídico de uma indústria 4.0 é facilitar, dentro das normas legais e das regras de compliance, a realização dos negócios desenhados pela empresa.

Com a modernização do departamento jurídico, o CFO terá informações mais exatas para auxiliar na tomada de decisões, reestruturação da empresa, atuação para prevenção de contingências, bem como para montagem de um planejamento financeiro com maior previsibilidade.

A correta adoção das medidas disrupticas na gestão financeira e do departamento jurídico tendem a gerar resultados expressivos às empresas.

Para debater o relacionamento entre o CFO e o departamento jurídico (interno da empresa e escritórios terceirizados), desafios e as medidas que vem sendo adotadas, o IBEF/PR organizará, no próximo dia 22/08/2018, uma mesa de debate com a presença de CFOs de empresas de grande porte, diretora jurídica de uma empresa multinacional e sócios de escritório de advocacia em Curitiba. As inscrições estão em aberto no site do IBEF/PR.

Link: https://goo.gl/151Emg

Frederico Pereira Rodrigues da Cunha

Coordenador do Comitê de Legislação Fiscal e Empresarial do IBEF/PR e Gerente do escritório Gaia, Silva, Gaede & Associados – Sociedade de Advogados.

 

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