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Governança e Compliance nas cooperativas agrícolas do Paraná

14/09/2018 09:26:00

Enquanto o Produto Interno Bruto brasileiro ainda se recupera da crise, o agronegócio cresceu a taxas de 13% em 2017, sendo o melhor resultado deste 1996 e passando a representar 23% de todo o PIB nacional. Neste ritmo de crescimento, o Brasil consolida a sua posição de potência mundial deste segmento, com produção e produtividade iguais, ou superiores, a outros mercados e se tornando um dos maiores produtores de grãos e proteína animal do mundo.

De acordo com a Forbes Brasil, a expectativa é que, até 2050, o agronegócio brasileiro cresça de três a quatro vezes mais que nossos concorrentes globais, sendo as cooperativas agrícolas grandes impulsionadoras deste movimento que tem tido relevância cada vez maior no desenvolvimento do agronegócio nacional. Neste contexto, o Estado do Paraná, conhecido como “celeiro do Brasil”, é o grande referencial para o cooperativismo nacional, contando atualmente com 11 cooperativas no ranking das 50 melhores empresas do Brasil da Revista Forbes. A Coamo, por exemplo, que há 50 anos era constituída com base em 79 agricultores, hoje possui faturamento de mais de R$ 11 bilhões, recebendo cerca de 3,5% de toda a produção nacional de grãos e fibras e 17% da safra do Estado do Paraná, passando a ser a maior cooperativa agrícola da América Latina.

Desta forma, o cooperativismo paranaense é uma das principais bases do crescimento da economia do Estado, tendo gerado R$ 70 bilhões de receitas em 2017 e, de acordo com projeções elaboradas pela Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), com previsão de atingir R$ 100 bilhões até 2020. Para atingir esta meta, a Ocepar desenvolveu um planejamento estratégico para seus associados baseado em cinco pilares direcionados não só para questões financeiras e operacionais, como também aspectos estruturais e organizacionais. De fato, o crescimento acelerado deste segmento nos últimos anos, assim como as projeções promissoras para os próximos, têm aumentado o foco na implementação e no aprimoramento das estruturas de Governança e Compliance para permitir a sustentabilidade deste crescimento e a geração de valor aos cooperados no longo prazo.

Estruturas mais maduras de Governança e Compliance, muitas vezes vistas como ferramentas gerenciais internas e sem correlação na geração de valor, na realidade agem também como facilitadores ao acesso a capitais de terceiros, seja estes sob a forma de empréstimos e financiamentos, ou mesmo sob a forma de aportes de capital por novos investidores. Consequentemente, maiores limites de crédito, maior capacidade para investimentos, prazos mais extensos de pagamento e menores custos de captação afetam diretamente os fluxos de caixa da empresa e acabam gerando um ciclo virtuoso de crescimento de seu valor patrimonial.

Sabedor desta relação, o Governo Federal também deu os primeiros passos no sentido de incentivar a adoção de políticas de Compliance no agronegócio. Com o lançamento do Selo Agro+Integridade no final de 2017, o Governo Federal também atua com o objetivo de incentivar e premiar a conduta ética e responsabilidade social e ambiental do agronegócio.

Mesmo diante das vantagens decorrentes da implantação de uma estrutura apropriada de estruturas de Governança e Compliance, grande parte das empresas nacionais ainda enfrenta dificuldades para atingir o nível de maturidade necessário para usufruir destes benefícios. Em recente pesquisa divulgada pela KPMG sobre a maturidade do compliance no Brasil, estes desafios ficaram claros. Das 450 empresas pesquisadas, mais de 80% encontram dificuldades para estruturar processos, bem como para integrar a área de compliance às demais áreas de negócio, enquanto que cerca de 70% ainda enfrentam barreiras para obter o apoio de seus executivos seniores. Esta mesma pesquisa ainda revela que apenas 41% dos executivos seniores enxergam a governança e a cultura de compliance como essenciais para o sucesso da empresa. Constatações como estas deixam claro as grandes oportunidades que ainda existem nesta área.

Este é um longo processo que as grandes cooperativas paranaenses, alinhadas ao plano estratégico da Ocepar, têm aprimorado ao longo dos últimos anos, desenvolvendo e implantando estruturas de governança e compliance maduras e robustas com foco na geração sustentável de valor aos seus cooperados e, consequentemente, mantendo sua rota de crescimento e relevância para a economia do Estado do Paraná e do Brasil como um todo.

*João Alberto Dias Panceri é sócio-líder da KPMG no Estado do Paraná e menbro do consellho Fiscal do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná– IBEF PR.

**Cristiano Aurélio Kruk é sócio da KPMG no Brasil e Coordenador do Comitê de Governança e Compliance do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná– IBEF PR.

 

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